quarta-feira, 18 de abril de 2012

Voltei a escrever

Eu tinha um arquivo do word com umas 50 páginas de poesias. Pode acreditar. E então, lamentavelmente, tudo foi por água abaixo. Todos aqueles textos horríveis – que como estão perdidos – são perfeita obra de arte em minha memória.

E, por isso, durante muito tempo desanimei de escrever. Naquele HD que um técnico considerou inutilizado, textos, poemas, contos, tudo deletado. Portanto, faz pouquíssimo tempo que me animei a escrever de novo. A história sempre esteve lá, sendo construída, todos os dias um pouco. No entanto, sem o devido registro, seu esplendor se perdia no esquecimento.

Vieram as fanfics. Personagens já existentes, uma história base e apenas uma necessidade: uma boia ideia e uma boa escrita. Os leitores e suas palavras de incentivo me diziam: ei, você deveria tentar de novo.

E, bem, eu tentei. Eu estou tentando. Estou escrevendo uma das velhas histórias. Uma das duas que planejei desde a fatídica morte daquele HD. Tudo de novo, do zero.

Existem duas memórias preciosas para mim. Uma delas é de um amigo do CEFET chamado Cleniston. Num concurso de poesias no dia dos namorados, ele leu a poesia que mandei (e não ganhei, aliás). E ao ler, gostar e pedir, ele foi a primeira pessoa que “comprou” algo que escrevi. Não com dinheiro, mas com entusiasmo. Ao dar aquele texto eu pensei: então é isso que os professores de arte passam anos tentando explicar? Colocar no papel não é apenas colocar no papel. É arte. Mas arte de verdade é o contato das palavras do papel com os olhos do leitor. Se ele gostar, como meu amigo, ótimo, se não gostar, como os juízes do concurso, tudo bem. Mas o pequeno fato em si, das palavras saírem uma vez do papel, é que significa arte.

Minha outra memória valiosa é de quando meu amigo Elder leu um texto meu, há muito tempo atrás, sobre um casal que descobria que seriam pais. Seu comentário simples e espantado: “Thayná, e aquele final, hein?” foi tudo que eu precisava. Um texto não é feito para ganhar críticas boas ou más. Ele é feito para comover, espantar, emocionar. E funcionou.

Se escrevo de novo, escrevo à folha, porque é ela que anda tendo tempo para me escutar. Mas escrevo a Elder e um dia escreverei a Cleniston e escreverei ao mundo se ele me permitir. Não tenho grandes pretensões. Isso ficou no passado, na época que pensava que Avril Lagvine fazia rock’n’roll. Meu objetivo é não ser frustrada: colocar no papel o que eu acredito ser grande demais para caber apenas na minha mente. E isso me basta, tem me bastado.

Ah, eu voltei a escrever... Você, blog, deve estar muito contente também, não é? Estou de volta.

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Eu não faço sentido, sou uma crase num ás de copas, uma tesoura sem ponta em meio à linhas de costura, uma flor sem pétalas perante às tropas. Eu faço sentido, de cabeça pra baixo com Cazuza no fone, três metros de fio dental e uma panela de brigadeiro transcendental.

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