segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A semente e a ignorância do conforto





Uma semente foi plantada nas profundezas de um vaso.

O inverno teve que passar para que ela se tornasse uma linda flor.

O solo gelado lhe castigou, e a semente se escondeu por muitos meses dentro dela mesma.

No entanto, um dia o sol lhe fez um convite.

- Semente, por quanto tempo pretender se esconder aí embaixo?

- Não vê que a terra está congelada? Como posso me atrever a sair?

- Eu vou lhe aquecer.

- Mas não vê que não tenho água para tomar aí fora?

- Você tem água todos os dias no seu vaso.

Então a semente se calou e, como se não tivesse mais como negar, segurou a mão do raio solar firmemente. Aos poucos, foi sendo empurrada, se espreguiçou e se abriu num lindo botão de flor.

Vendo as coisas ali de cima, pôde compreender muito. Era frio e não tinha o conforto do solo em cima de si, lhe protegendo. No entanto, era verdade que o sol estava sempre lá, mesmo no frio, seus raios deixavam seus olhos sem foco. Alguém lhe regava todos os dias, no mesmo horário, e lhe desejava uma vida saudável.

Por muito tempo a ex-semente se perguntou se o conforto do solo valia a ignorância de não enxergar o esforço de todos ali fora. Suas pétalas brilharam e arrancaram suspiros na primavera, suaram no verão, caíram no outono e eventualmente ela tremeu de frio no inverno, nua, sem suas proteções.

E assim também é a vida dos humanos.

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Natal, RN, Brazil
Eu não faço sentido, sou uma crase num ás de copas, uma tesoura sem ponta em meio à linhas de costura, uma flor sem pétalas perante às tropas. Eu faço sentido, de cabeça pra baixo com Cazuza no fone, três metros de fio dental e uma panela de brigadeiro transcendental.

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