sábado, 6 de março de 2021

Será que isso é realmente amor?

 Será que isso é realmente amor?

Eu não vou conseguir sozinha.


Casa, trabalho, comida, saúde, filhos. 


Eu não vou conseguir sozinha. 

Suportar. 


A hora tem que ser quando você quiser acordar?

E se eu precisar de ajuda mais do que você possa imaginar?


Pra zelar pelo que é nosso. Para me cuidar. Para cuidar dos nossos. 

Você vai querer me ajudar?


Quando eu pensei que o mundo ia colapsar, eu me levantei. 

Minhas pernas não tinham forças para caminhar. 

Eu caminhei.


Minha mãe naquela cama. Seu braço, um pedaço da carne que era consumida e deixada. 

Minha prima, lá da Suíça, por que ela teria que se preocupar? Me mandou dinheiro, me mandou palavras. 

Visitas que eu não esperava. Pessoas que nunca pensei que me ajudariam, apareciam. Pessoas que nem me conheciam, eu pagava, e elas vinham. 


(Meu pai disse: “é a vida, acontece, pessoas partem, saúde se vai”. Por que tinha que me dizer isso naquele momento?)


Te pedia. Dentro, meu coração ardia. Por que não era você quem me oferecia?


Consolo. 

Carona.

Ajuda.


Versus


Trabalho 

Confraternização do trabalho 

Muito cedo, muito tarde 


Eu jurei que não iria mais passar por isso.


Eu continuo aqui. Com medo. Parada. Por nada.


O tempo parece passar por mim, e não eu por ele. Enquanto espero por perguntas para as quais já tenho as respostas. Sinto como estivesse me cozinhando em banho-maria. Esperando. Pelo inevitável, pelo inadiável, pela dor.


Eu não vou conseguir sozinha. 

Será que isso é pavor?


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Natal, RN, Brazil
Eu não faço sentido, sou uma crase num ás de copas, uma tesoura sem ponta em meio à linhas de costura, uma flor sem pétalas perante às tropas. Eu faço sentido, de cabeça pra baixo com Cazuza no fone, três metros de fio dental e uma panela de brigadeiro transcendental.

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