Será que isso é realmente amor?
Eu não vou conseguir sozinha.
Casa, trabalho, comida, saúde, filhos.
Eu não vou conseguir sozinha.
Suportar.
A hora tem que ser quando você quiser acordar?
E se eu precisar de ajuda mais do que você possa imaginar?
Pra zelar pelo que é nosso. Para me cuidar. Para cuidar dos nossos.
Você vai querer me ajudar?
Quando eu pensei que o mundo ia colapsar, eu me levantei.
Minhas pernas não tinham forças para caminhar.
Eu caminhei.
Minha mãe naquela cama. Seu braço, um pedaço da carne que era consumida e deixada.
Minha prima, lá da Suíça, por que ela teria que se preocupar? Me mandou dinheiro, me mandou palavras.
Visitas que eu não esperava. Pessoas que nunca pensei que me ajudariam, apareciam. Pessoas que nem me conheciam, eu pagava, e elas vinham.
(Meu pai disse: “é a vida, acontece, pessoas partem, saúde se vai”. Por que tinha que me dizer isso naquele momento?)
Te pedia. Dentro, meu coração ardia. Por que não era você quem me oferecia?
Consolo.
Carona.
Ajuda.
Versus
Trabalho
Confraternização do trabalho
Muito cedo, muito tarde
Eu jurei que não iria mais passar por isso.
Eu continuo aqui. Com medo. Parada. Por nada.
O tempo parece passar por mim, e não eu por ele. Enquanto espero por perguntas para as quais já tenho as respostas. Sinto como estivesse me cozinhando em banho-maria. Esperando. Pelo inevitável, pelo inadiável, pela dor.
Eu não vou conseguir sozinha.
Será que isso é pavor?

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