ZAZ - Éblouie par la nuit
Éblouie par la nuit à coups de lumière mortelle
Deslumbrada pelas luzes mortais da noite
A frôler les bagnoles les yeux comme des têtes d’épingle.
Os carros passando perto, os olhos como cabeças de alfinetes
Je t'ai attendu 100 ans dans les rues en noir et blanc
Eu te esperei 100 anos nas ruas em preto e branco
Tu es venu en sifflant.
Você veio assobiando
Aquele mesmo sentimento, a familiar angústia.
O sol se pôs: as noites se acenderam mais uma vez.
Luzes mortais que só duram a noite.
As noites que passo em claro.
Procurando…
O som dos carros fere meus ouvidos
enquanto observo-os do meio-fio.
Será que você está em algum deles?
Só vejo meu reflexo nas janelas.
Meus olhos cansados não enxergam as luzes mudando do vermelho para o verde.
E então para o vermelho de novo.
Os carros cruzam a rua,
E eu observo as linhas brancas no asfalto ocupadas mais uma vez.
Meus olhos estão arregalados como cabeça de alfinetes.
O sono, as lágrimas, sem foco, olhando,
Mas sempre sem enxergar por estas ruas.
Fitando tudo, mas nada.
Vago nas ruas iluminadas que são preto-e-branco.
Me falta a cor, que você levou no meio da noite.
Descolorindo a vida de onde escapou.
E tornando o cenário da minha vida um filme antigo.
E te espero, esta noite também.
E todas as noites antes dessa,
que se acumulam, acumulam e já perdi as contas,
Mas deve ser a centésima.
Como se não lhe esperasse,
Como se o tempo fosse sempre esta noite eterna,
Você aparece, assobiando, despreocupado.
Na centésima noite de vigília.
Éblouie par la nuit à coups de lumière mortelle
Deslumbrada pelas luzes mortais da noite
A shooter les canettes aussi paumée qu'un navire
A chutar as latinhas tão perdida quanto um navio
Si j'en ai perdu la tête je t'ai aimé et même pire
Se perdi a cabeça, eu te amei e até pior
Tu es venu en sifflant.
Você veio assobiando
Eu sempre tenho um destino e um caminho.
Então por que sempre pareço perdida?
Cambaleando pelo caminho certo,
Chutando as latinhas como bola de futebol.
Duvido da minha sanidade algumas vezes ao dia.
Me pergunto o que sinto muitas vezes ao dia.
Os sentimento por você se misturam,
E o amor é o mais inofensivo deles.
Éblouie par la nuit à coups de lumière mortelle
Ofuscado pela noite por golpes de luzes mortais
Faut-il aimer la vie ou la regarder juste passer?
Você amou a vida ou apenas a viu passar?
De nos nuits de fumette il ne reste presque rien
Das nossas noites de fumo não sobrou quase nada
Que des cendres au matin
A não ser tuas cinzas pela manhã
Dans ce métro rempli des vertiges de la vie
Nesse metrô repleto de vertigens da vida
A la prochaine station, petit européen.
Até a próxima estação, pequeno europeu
Mets ta main, descends-la au dessous de mon cœur.
Coloque tua mão, desça-a abaixo do meu coração
Você vive sem fazer promessas.
Mas realmente está vivendo?
Você vive sem amar ninguém.
Mas está só sobrevivendo?
Estamos vendo nossas vidas passar
Sem fazer nada?
Das conversas, do cigarro, do colo
Só sobraram as luzes ligadas das janelas do vizinho.
Do vinho, da descontração, das risadas
Só sobraram as cinzas da manhã seguinte.
As cinzas do cigarro consumido.
As cinzas do que era fogo, e se apagou.
Vida que segue, embarcamos no Metrô
Onde rostos de ninguém se encaram.
Histórias mal contadas se olham
E desembarcam para continuar sendo contadas.
Até a próxima estação.
A vida tem que seguir.
Descemos, nessa geração,
dos jovens que somos
do pequeno lugar desse mundo
Reservado para nós.
Coloque sua mão no meu peito
Sinta meu coração que ainda bate
Vamos perder este metrô
Vamos embarcar em nossas vidas
Éblouie par la nuit à coups de lumière mortelle
Ofuscado pela noite por golpes de luzes mortais
Un dernier tour de piste avec la mort au bout
Uma última volta estendendo a mão ao fim
Je t'ai attendu 100 ans dans les rues en noir et blanc
Eu esperei 100 anos nas ruas em preto e branco
Tu es venu en sifflant.
Você veio assobiando.
As luzes morrem aos poucos,
Pois o sol ilumina a escuridão.
A última volta no quarteirão,
A última esperança de encontro.
Mas já esperei por tantas noite
Que já perdi as contas.
E elas se acumularam, acumularam,
Mas deve ser a centésima.
E, a cor retorna, quando você chega assobiando
Tão de repente, quanto desaparece
E deixa apenas as cinzas
E o mundo preto-e-branco.
Você retorna assobiando,
Como se fosse a primeira noite.
E, me pergunto,
Se sou eu quem está perdida,
Se sou eu quem eu procuro,
ou Você.
---
Interpretar poesia com poesia me parece perda de tempo.
Mas de todas as maneiras que posso perder meu tempo,
Esta é a minha preferida.
Zaz, obrigada por me fazer sentir, e não pensar.



Nenhum comentário:
Postar um comentário