quinta-feira, 22 de abril de 2010

Besteiras sérias - parte dois: Foto ou imagem?

Foto ou imagem?


Quando eu era criança, lembro que nos passeios e nas viagens minha mãe levava a máquina fotográfica. Na época, era aquele tijolão que precisava de filme, e depois se mandava revelar e não permitia ver se a foto tinha ficado boa ou excluí-la. Hoje em dia, o pessoal solta o flash e exclui até acertar o ângulo perfeito do rosto/franja.


Estava no shopping um dia desses e um casalzinho sentou-se na mesa ao lado, com dois bolos daqueles enooormes. Pensei que iam devorá-los e ficar de xaveco. Mas que nada. Primeiro tiraram foto do bolo de todos os ângulos, depois do bolo e do garfo, do bolo com eles, da metade do bolo comido... Na última viagem que fiz como aluna do CEFET com minha turma, em dois dias, foram tiradas nada mais nada menos que 900 fotos. Em dois dias. Em uma aula de campo. Deu pra sentir?

Estou chegando a uma conclusão triste. Antigamente, saíamos para nos divertir e a foto era uma imagem para guardar um pedacinho daquilo tudo como parte da recordação. O mais importante era viver ali, na companhia daquelas pessoas especiais, e aproveitar bem aquele momento.

Atualmente saímos para tirar foto. Finge-se que se está se divertindo para valer, sorrisos, caras e bocas e, enfim, Orkut. Para que mostrar (ou seria provar?) ao mundo que você se divertiu pra caramba? Como você pode ter se divertido se tudo que fez foi tirar 300 fotos e depois publicá-las? (Claro que você pode ter como hobby a fotografia, mas você vai exercitar logo quando deveria está conversando e se divertindo com sua família ou/e amigos?).

Também gosto de tirar algumas fotos e guardar belas paisagens e momentos especiais. Mas não tenho essa obsessão de registrar cada milésimo de segundo. Prefiro aproveitar a companhia, fotografar com os olhos e publicar na minha memória. E, claro, quando bater a saudade, olhar algumas fotografias daquele dia especial. Será que o problema é comigo ou o mundo que pirou na batatinha mesmo?

2 comentários:

Anônimo disse...

É sempre aquela sensação de que... vivemos no irreal, somos completamente errados e utópicos... ou será que só nós somos temos a capacidade de observar as coisas por um ângulo melhor? Enquanto parecemos loucos para a maioria, a maioria, essa sim, que com seus vícios e dilemas vãos que parecem loucos, para nós...

Anônimo disse...

Seja como for, acho que vi seu recado um pouco tarde demais. Mas tudo bem, e obrigado por se lembrar. Passe bem.


Perfil

Minha foto
Natal, RN, Brazil
Eu não faço sentido, sou uma crase num ás de copas, uma tesoura sem ponta em meio à linhas de costura, uma flor sem pétalas perante às tropas. Eu faço sentido, de cabeça pra baixo com Cazuza no fone, três metros de fio dental e uma panela de brigadeiro transcendental.

Arquivo do blog